O curso de iniciação ao teatro do TUM. À descoberta da criatividade.
Paulo Bessa
Imagine-se a vida como uma melodia. Uma melodia complexa, cheia de emoções, com seus os seus cantos e recantos à espera de serem descobertos. É assim que descrevo os últimos meses que tenho vivido, no curso que temos frequentado de introdução às técnicas teatrais do Teatro Universitário do Minho (TUM).
Foram durante quatro meses intensos que um grupo de 20 pessoas, duas a três vezes por semana, se encontravam num pequeno auditório no centro da cidade de Braga, que agora tem muito significado para nós. Para recebermos, através de um conjunto de simpáticos formadores, diversas sessões. E sempre dirigidos pela nossa querida directora, a Sandra Andrade.
O que significa o teatro para nós? Um espaço de criação e partilha. Um espaço de convívio e libertação. Um refúgio. Um refúgio interior, dos nossos medos e introversões, do stress e da banalidade… Ou simplesmente a procura de respostas e algo mais.
Sim, nada mais belo que esse universo que é o nosso interior. Que contém tudo, desde o amor até as restantes todas as outras emoções! Daí, sim, nasce a criação artística e é daí que surge também o nosso gosto pelo teatro. De nos podermos expressar e mergulharmos numa procura e manifestação constante de criatividade.
Mas vou então contar-vos como foi mais ou menos o nosso curso, semana a semana!
O início! Sessão 1. O grupo, ainda tímido, inicia a sua aventura, dando-se a conhecer, como cada um é. Aqui tudo funciona como um todo, portanto é necessário que todos quebrem barreiras naturais, físicas e psicológicas. Sobretudo, quando tal envolve a comunicação corporal.
Vieram então sessões da descoberta do corpo. Tentar manter uma consciência do nosso corpo enquanto instrumento de comunicação, individualmente e depois para o grupo. Houve aulas de relaxação, quase em jeito de Yoga, ou simplesmente uma ingénua meditação que muitos de nós nunca tínhamos experimentado!
Massagens, preparando nosso corpo e alma para uma expressão livre de sentimentos.
Depois, vieram sessões de improviso, da colocação da voz e da descoberta interior das emoções. Chegámos a descobrir como podemos respirar pela barriga, pelo abdómen, e aí soltar uma vertente incrível que nunca pensava ter no meu corpo. Imaginem que só com este exercício, após umas horas, era possível induzir o choro ou o riso incontrolável! Ou até emoções que nem consigo definir.
Visualizem duas pessoas face a face, sem falar, mas face a face, corpo a corpo, emitindo uma série de sons que cada deles sabe serem uma profunda e espontânea forma de comunicação. Num jogo misto de emoções.
Sessões seguintes trouxeram-nos também conceitos básicos de dança contemporânea, do improviso. Dramaturgia e performance (a colocação do nosso corpo no espaço).
Havia sempre espaço para cada um de nós apresentar de vez em quando propostas, em sessões que chamávamos de laboratório.
Fui desde um pintor esquizofrénico, um romântico tocador de harpa e sedutor ao amor, a alguém que reflectia sobre as tristes histórias de encontros e desencontros da vida das pessoas, mergulhando em fantasias, até à pessoa transformada em insecto do livro Metamorfose de Kafka.
As sessões eram sempre acompanhadas de um ambiente saudável, ao som de música e incenso e havia sempre convívio que durava até depois das sessões em si. Saía das aulas com os mais variados estados de espírito. Por vezes alegre, noutras mais introspectivo e melancólico, noutras até hilariante e eléctrico, em puro êxtase.
Agora, encontramo-nos presentemente a preparar a peça final. Temos a liberdade de construirmos algo que surge como o resultado de tudo que aprendemos e fizemos, um pouco do que todo o conjunto de grupo cria. Conheci muita gente nova e decerto, encontrei universos em mim e em outros que não esperava conhecer.
Assim, partilho convosco que adorei esta experiência e convido outros a fazerem-na também. Proponho também que partilhem connosco a peça final que vamos apresentar em breve, cá em Braga, em meados de Julho.
Imagine-se a vida uma melodia. E podermos compor nela tudo que sempre quisermos ter dito.