quarta-feira, julho 14, 2004

PÚBLICO.UM vai de férias

Com o final do ano lectivo na academia minhota, o Público.UM também vai de férias. Contudo, prometemos voltar na última sexta-feira de Setembro, para voltar a falar sobre os assuntos académicos do ponto de vista dos alunos da UM.

Barreiras arquitectónicas da UM deverão ser eliminadas de Gualtar até Outubro

São cerca de 20 os alunos com mobilidade reduzida que irão benificiar com as alterações do Programa de Eliminação de Barreiras Arquitectónicas. Em Braga, as alterações orçamentadas em 173 mil euros, já estão em execução e, em Guimarães, devem começar para o ano

Isabel Geraldes Freire

Daqui a quatro meses, já deverá ser possível para qualquer deficiente motor deslocar-se pelo pólo de Braga da Universidade do Minho (UM), sem qualquer limitação. Rampas, plataformas elevatórias, passeios maiores e casas-de-banho adaptadas são algumas intervenções que já estão em progresso e que fazem parte do Programa de Eliminação de Barreiras Arquitectónicas, aprovado em Dezembro passado. Estas remodelações irão custar à academia minhota cerca de 173 mil euros. No caso de Guimarães, o estudo e levantamento de todas as barreiras no “campus” deve estar pronto no final deste mês e o vice-reitor José Mendes afirma que, no próximo ano, será possível passar à prática.
O vice-reitor responsável pela qualidade de vida nos “campi” assegura que “os concursos estão a andar e, nesta altura, alguns já estão em execução.” Quanto à concretização total do projecto aponta para os meses de Setembro e Outubro: ”Devemos ter tudo pronto ate essa altura, até porque temos que executar o orçamento até aí.” Ao todo são 61 intervenções divididas pelos espaços exteriores (18), complexos desportivos (17) e escolas e institutos (26). O plano prevê a colocação de rampas, a construção de passadeiras, passeios e vias de acesso, adaptação das casas-de-banho, rebaixamento dos balcões de atendimento, construção de plataformas elevatórias e rebaixamento dos balcões de atendimento.
No caso de Azurém, prevê-se a conclusão do estudo (actualmente em realização pelo arquitecto e docente da UM, André Fontes) em Julho. “Esperamos que em Setembro ele já possa ser levado ao conselho administrativo para ser aprovado e para o ano já devemos começar com os concursos. Talvez até, no fim deste ano, já possamos fazer alguma coisa.”, declarou José Mendes.
“O maior problema são alguns degraus mais altos e falta de corrimão em algumas escadas” assinala Sandra Estêvão, responsável pelo Gabinete de Apoio ao Estudante com Deficiência (GAED). A responsável alega que este projecto se justifica para “garantir o acesso de toda a gente a todos os pontos da universidade, não só aos estudantes com deficiência, mas também a visitantes ou docentes mais idosos”. Sandra Estêvão salvaguarda, contudo que “o essencial é nunca esquecer os verdadeiros interessados neste processo, de modo a não se construir algo que depois não vai ser utilizado.”
A responsável pelo primeiro estudo, que antecedeu o plano, foi Sofia Pereira, uma ex-aluna que se encontra a estagiar no GAED, também ela com mobilidade limitada. A estagiaria vê com bons olhos o projecto, para o qual contribuiu, de modo a acabar com os principais problemas, que para ela são “a escassez de casas-de-banho para deficientes e a inacessibilidade de alguns sítios como os serviços académicos”.
Eva Abreu é uma estudante que tem de se deslocar numa cadeira de rodas e admite que “a universidade já tem muitas condições, mas ainda há alguns sítios onde é difícil chegar”. Para chegar a sítios como a cantina universitária ou o pavilhão desportivo, ambos localizados na parte mais alta do “campus”, a aluna tem de pedir ajuda aos seus colegas, uma vez que o caminho e muito íngreme e com alguns degraus. Mesmo assim, esta aluna ainda têm alguma mobilidade para se levantar da cadeira, caso contrário queixa-se que “não conseguiria ligar a chave dos elevadores”. Este é um problema que tal como os outros deve ficar resolvido até Outubro.

AGENDA

MÚSICA
Composições de Bach, Prokofiev e Brahms irão ganhar vida perante o violino de Nuno Soares e o piano de Youri Popov, amanhã, no salão nobre do Instituto de Estudos da Criança, em Braga. As primeiras notas do recital serão entoadas pelas 21h30. Também no campo musical, um evento que já se tornou habitual, o concerto de final de ano do Coro Académico da UM. As vozes vão-se afinar em despedida, no escadório do Bom Jesus, dia 24 deste mês, às 21h30.

CONCURSO

Se achas que tens alguma inclinação para a fotografia, podes tentar a tua sorte no quarto Concurso Fotográfico Internacional sobre o Meio Ambiente, “Focus on your World.” Esta competição é promovida pelo Programa das Nações Unidas para o Meio ambiente (UNEP) e patrocinada pela Canon. As fotografias premiadas serão expostas em exibições itenerantes. Se quiseres saber mais sobre o concurso, consulta http://www.unep-photo.com.

TEATRO
Duas dramatizações sobem ao palco, às 21h45, no museu D. Diogo de Sousa. Amanhã, é dia de risos com “A comédia do fantasma” de Plauto. A direcção fica a cargo deEmídio Flor e a representação cabe ao grupo Balbo, de Cádis. No domingo, a ênfase vai para o drama com “As Traquínias” de Sófocles.

ANIVERSÁRIO MUSICAL
A Rádio Universitária do Minho(RUM) festeja amanhã o seu décimo quinto aniversário. Para celebrar a efeméride, um debate sobre os 15 anos de música rock, hoje, às 23h00, no bar Insólito, no centro de Braga. A conversa conta com a presença dos jornalistas Nuno Passos e Eduardo Jorge Madureira e de dois membros dos “Mão Morta”, Miguel Pedro e Adolfo Luxúria Canibal. Meia hora depois, o espaço para as actuações musicais de André Leite, “Freequency” e “Jack in the box”.Amanhã, no mesmo sítio exibição de curtas metragens e actividades circenses, as 22h00 e as 23h30 a música de “Submarine”, “Cyz” e “Slimmy”.

COLÓQUIOS
“O cérebro e a visão” será o tema do colóquio que terá lugar hoje, às 21h30, no salão nobre da reitoria da UM. Esta palestra faz parte da iniciativa “O fascinante mundo da ciência”, que pretende aliciar os jovens para o mundo científico. O evento contará com o orador Eduardo Ducle Soares, da Universidade de Lisboa e explorará temas como a actividade cerebral e estímulos visuais.

Cartoon por Luís Felipe Cabral

segunda-feira, junho 28, 2004

O curso de iniciação ao teatro do TUM. À descoberta da criatividade.



Paulo Bessa


Imagine-se a vida como uma melodia. Uma melodia complexa, cheia de emoções, com seus os seus cantos e recantos à espera de serem descobertos. É assim que descrevo os últimos meses que tenho vivido, no curso que temos frequentado de introdução às técnicas teatrais do Teatro Universitário do Minho (TUM).

Foram durante quatro meses intensos que um grupo de 20 pessoas, duas a três vezes por semana, se encontravam num pequeno auditório no centro da cidade de Braga, que agora tem muito significado para nós. Para recebermos, através de um conjunto de simpáticos formadores, diversas sessões. E sempre dirigidos pela nossa querida directora, a Sandra Andrade.

O que significa o teatro para nós? Um espaço de criação e partilha. Um espaço de convívio e libertação. Um refúgio. Um refúgio interior, dos nossos medos e introversões, do stress e da banalidade… Ou simplesmente a procura de respostas e algo mais.
Sim, nada mais belo que esse universo que é o nosso interior. Que contém tudo, desde o amor até as restantes todas as outras emoções! Daí, sim, nasce a criação artística e é daí que surge também o nosso gosto pelo teatro. De nos podermos expressar e mergulharmos numa procura e manifestação constante de criatividade.

Mas vou então contar-vos como foi mais ou menos o nosso curso, semana a semana!
O início! Sessão 1. O grupo, ainda tímido, inicia a sua aventura, dando-se a conhecer, como cada um é. Aqui tudo funciona como um todo, portanto é necessário que todos quebrem barreiras naturais, físicas e psicológicas. Sobretudo, quando tal envolve a comunicação corporal.
Vieram então sessões da descoberta do corpo. Tentar manter uma consciência do nosso corpo enquanto instrumento de comunicação, individualmente e depois para o grupo. Houve aulas de relaxação, quase em jeito de Yoga, ou simplesmente uma ingénua meditação que muitos de nós nunca tínhamos experimentado!
Massagens, preparando nosso corpo e alma para uma expressão livre de sentimentos.

Depois, vieram sessões de improviso, da colocação da voz e da descoberta interior das emoções. Chegámos a descobrir como podemos respirar pela barriga, pelo abdómen, e aí soltar uma vertente incrível que nunca pensava ter no meu corpo. Imaginem que só com este exercício, após umas horas, era possível induzir o choro ou o riso incontrolável! Ou até emoções que nem consigo definir.
Visualizem duas pessoas face a face, sem falar, mas face a face, corpo a corpo, emitindo uma série de sons que cada deles sabe serem uma profunda e espontânea forma de comunicação. Num jogo misto de emoções.

Sessões seguintes trouxeram-nos também conceitos básicos de dança contemporânea, do improviso. Dramaturgia e performance (a colocação do nosso corpo no espaço).
Havia sempre espaço para cada um de nós apresentar de vez em quando propostas, em sessões que chamávamos de laboratório.
Fui desde um pintor esquizofrénico, um romântico tocador de harpa e sedutor ao amor, a alguém que reflectia sobre as tristes histórias de encontros e desencontros da vida das pessoas, mergulhando em fantasias, até à pessoa transformada em insecto do livro Metamorfose de Kafka.
As sessões eram sempre acompanhadas de um ambiente saudável, ao som de música e incenso e havia sempre convívio que durava até depois das sessões em si. Saía das aulas com os mais variados estados de espírito. Por vezes alegre, noutras mais introspectivo e melancólico, noutras até hilariante e eléctrico, em puro êxtase.

Agora, encontramo-nos presentemente a preparar a peça final. Temos a liberdade de construirmos algo que surge como o resultado de tudo que aprendemos e fizemos, um pouco do que todo o conjunto de grupo cria. Conheci muita gente nova e decerto, encontrei universos em mim e em outros que não esperava conhecer.
Assim, partilho convosco que adorei esta experiência e convido outros a fazerem-na também. Proponho também que partilhem connosco a peça final que vamos apresentar em breve, cá em Braga, em meados de Julho.
Imagine-se a vida uma melodia. E podermos compor nela tudo que sempre quisermos ter dito.

Grupo de teatro com dificuldades de espaço

O Teatro Universitário do Minho promoveu o décimo quarto curso de sensibilização às técnicas teatrais. O exercício final será apresentado à porta aberta, no dia 21 de Julho

Joana Guedes Pinto

Em nome da criação de novos públicos e da reciclagem de técnicas teatrais, o Teatro Universitário do Minho (TUM) recebeu, como anualmente, desde a sua fundação há 14 anos, os integrantes do curso de sensibilização às técnicas teatrais. O curso, que durou de 17 de Março a 15 de Junho, viu as 25 vagas disponíveis preenchidas, mesmo custando 75 euros a cada participante. Ainda sem nome está o exercício final, última prova do curso, que vai consistir em colagens de textos e de propostas dos alunos. Os ensaios para este espectáculo começaram já na passada quarta-feira e a estreia está agendada para o dia 21 de Julho.
Os estudantes da Universidade do Minho, são os que mais frequentaram o curso, mas inscreveram-se também pessoas de outras universidades e institutos, estudantes do ensino secundário e até docentes da universidade. A directora do TUM, Sandra Andrade, afirma que “o leque de idades é variado (dos 18 aos 47 anos), contudo o motivo porque vão à procura do curso é diferente. Mas há qualquer coisa que os une, que é o teatro, que é qualquer coisa que andam à procura e que o ensino universitário não dá.”
Este curso bissemanal, composto por módulos, contou, este ano, com laboratórios entre as aulas, que funcionaram como um espaço de diálogo para os alunos. O curso, coordenado pela directora do TUM e leccionado por profissionais na área da dança, do teatro, e alguns sócios do teatro já experientes, estruturou-se em dez módulos: integração e dinâmica de grupo; movimento e corpo; dança e movimento; performance e instalação; módulo de voz; dois módulos de improvisação, sendo um de coreografia e outro de expressão; construção do personagem; composição em cena e dramaturgia, culminando tudo isto num exercício final.
Deste modo, “os alunos chegam ao fim com um leque mais alargado de opções e conseguem fazer uma interpretação daquilo que vão aprendendo”, assinala a directora. As motivações dos alunos inscritos são variadas. Há aqueles que fazem do curso um passatempo, aqueles que gostam muito de teatro e querem continuar a fazê-lo. Mas também há espaço para experimentar coisas novas ou partir à descoberta de si próprios.
Divulgado através de e-mail, grupos de teatro, imprensa, jornal, rádio e cartazes e flyers, um pouco por toda a parte desde bares a museus, passando pela UM, o objectivo deste curso é formar o público. Segundo Sandra Andrade, existe a necessidade de formar novos públicos, apesar do grupo já contar com um público fiel. Outro dos objectivos é reciclar o TUM, por ser teatro universitário e estar nele imanente a reciclagem dos seus membros, através do conhecimento de novos formadores e de novas técnicas.
O grupo teatral, existente há 14 anos, enfrenta uma grande dificuldade, para além da falta de dinheiro, que é o problema do espaço. Para os ensaios e espectáculos conta apenas com um pequeno auditório situado perto da sé de Braga, cuja degradação já é visível. Sandra Andrade aponta ainda a falta de vontade e de motivação dos alunos, como uma dificuldade para o teatro. A responsável afirma que os alunos dizem gostar sempre muito do curso, mas existem aqueles que desistem alegando, principalmente, problemas pessoais e falta de tempo.
Apesar de quaisquer dificuldades, o grupo teatral conta com alguns apoios para a realização das suas actividades. Essas ajudas revertem de um plano de actividades enviado às instituições, sendo a Gulbenkian o principal apoio financeiro. O Instituto Português da Juventude, (IPJ) e os vários representantes da UM são também apoios garantidos. A Direcção Regional de Cultura do Norte assegura apoio para a aquisição de material. Sandra Andrade, assevera que “o Governo civil também contribui às vezes e a Câmara Municipal de Braga, ultimamente não tem tido muita disponibilidade, por causa do Euro e tem uma política camarária que não é muito compatível com a nossa.”

AGENDA

MINHO CAMPUS PARTY
As inscrições para a edição de 2004 do Minho Campus Party já estão abertas. O preço da inscrição é de 80 euros e dá direito a um posto para instalar o computador, refeições, uma tenda e instalações sanitárias. Este ano, o festival da internet 24 horas irá decorrer em Braga, de 28 de Julho até 1 de Agosto. Para mais informações, consulta a página http://www.minhocampusparty.net.

MÚSICA
Se o que procuras, é uma escapadela do stress dos exames, podes exerimentar apurar o ouvido para os concertos que estão a decorrer no Pavilhão Multiusos, em Guimarães. Para hoje, a música popular de Vitorino e Zé Carvalho. No fim-de-semana, as opções são outras com o fado de Margarida Guerreiro, no sábado e o jazz de Sofia Ribeiro, no domingo. Os concertos começam todos às 22h00.

WORKSHOP
Um workshop sobre Teoria de Jogos é a proposta, para os próximos dias, do Núcleo de Investigação em Economia Aplicada e da Escola de Economia e Gestão (EEG) da UM. As oficinas serão leccionadas por Paul Schweinzer, docente na Universidade de Bona, Alemanha. O workshop irá decorrer desde amanhã até à próxima terça-feira, das 9h00 às 13h00 e terá lugar na sala 111 da EEG, no “campus” de Gualtar. O custo das aulas é de 75 euros e os interessados poderão ligar para 253676375.

SEMINÁRIO
Um seminário de dois dias sobre ensino, aprendizagem, formação e investigação, desta vez, de entrada livre, irá decorrer no auditório B1, do CP2, em Gualtar. O tema geral deste conjunto de palestras, a decorrer na próxima segunda e terça-feira, será “Para transformar a pedagogia na universidade”. Os interessados deverão inscrever-se, quanto antes, através do e-mail flavia@iep.uminho.pt.

CONFERÊNCIA
Se te quiseres abrir a outro tipo de assuntos, podes experimentar assistir a uma conferência sobre o grupo como veículo de mudança. Esta palestra irá decorrer, amanhã, às 22h00, no Centro de Desenvolvimento Humano Nimué e a entrada é livre. Para mais informações, podes ligar para o 253213666.

sexta-feira, junho 18, 2004

“Esse tipo de coisas não me chama a atenção!”Estudantes não conhecem os seus representantes


Isabel Geraldes Freire

“Este ano, votaste para a direcção da associação académica?” A pergunta foi feita pelo Público.UM a 35 estudantes de Braga e Guimarães. Se a pergunta não variava, a resposta também raramente o fazia. Apenas responderam afirmativamente três alunas do Instituto de Estudos da Criança (IEC) e uma aluna de Guimarães. Num inquérito realizado pelo Movimento Unitário de Luta Académico, durante as eleições passadas, os resultados obtidos revelaram que 50 por cento dos estudantes não considera importante eleger os seus representantes e 87 por cento da pequena percentagem de votantes, não lêem as propostas dos candidatos. Em relação aos Representantes dos Estudantes nos Órgãos de Governo da Universidade, as perspectivas são ainda mais negativas, já que nenhum aluno contactado pelo PÚBLICO.UM afirmou conhecê-los.
“Não votei este ano”, explica Isabel Teixeira, aluna de Optometria e Ciências da Visão, “porque esse tipo de coisas não me chama a atenção”. A aluna confessa que nem sequer conhece a actual direcção da Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM). Este, contudo, não é um caso isolado. Paulo Machado, confessa que nos seis anos que já passou na UM a estudar, nunca votou. Quanto a Narciso Pinto, um aluno com o mesmo número de matrículas, apenas usou as urnas eleitorais um ano. Embora conheçam o presidente da associação e alguns colaboradores, não conseguem apontar nenhuma iniciativa concreta que tenham realizado, para além do Enterro da Gata.
Simara Afonso, de Polímeros é uma das excepções. Este ano votou, mas confessa: “Não acreditar “em politiquices. Só votei, porque tinha amigos numa lista.” Tânia Pavão, Raquel Pontes e Alcina Vieira são três alunas de Educação de Infância que afirmam que foram votar. Para estas alunas, como o IEC é mais pequeno, é mais fácil as pessoas votarem, porque, como afirma Tânia Pavão, “só existe uma entrada e se a urna estiver lá não há maneira de não a ver”. Raquel Pontes admite que, este ano “a associação até tem estado presente no IEC. De vez em quando, aparecem para avaliar a deterioração do edifício, a distribuir inquéritos, já arranjaram uma máquina de papéis.” Mesmo assim, estas alunas confessam não saber o nome do presidente da associação.
O presidente da direcção da AAUM, Jorge Cristino alega que os alunos não se dão conta da presença da associação, porque “a estrutura de serviços providenciados pela AAUM é tão pesada, como as reprografias, os transportes, os bares, as lojas que os alunos nem pensam que esse tipo de utilidades é gerido pela associação.” Para o dirigente associativo, o problema consiste na “sobrecarga de trabalhos e exames que obriga os alunos a concentrar-se somente nos estudos. Isso explica que as iniciativas com mais adesão sejam as lúdicas, por permitirem um escape.”
Mas em termos de representantes académicos, aqueles que são verdadeiramente desconhecidos da maioria dos estudantes são os REOGUM, que têm assento nos órgãos de gestão da academia através de eleições directas, mas cuja média de votantes por ano ronda os 300 alunos. De todos os inquiridos, apenas as três estudantes do IEC, depois de algum esforço de memória, afirmam ter votado “para os REOGUM, mas em branco, porque não fazíamos a mínima ideia do que eram.”
Um dos membros dos REOGUM, Carlos Azevedo, desmistifica a situação: “É normal os alunos não nos conhecerem até por causa da própria natureza do acto eleitoral. A informação fica dentro de um grupo restrito, de forma que é preciso estar dentro do processo para se ter informações sobre ele.” O estudante afirma que não costumam divulgar as suas iniciativas, preferindo trabalhar “com os delegados que querem trabalhar”. Para Carlos Azevedo estes são “os maiores interessados no que se passa na academia, porque eles é que têm assento nos órgãos da base da pirâmide, as comissões e conselhos de curso e a comissão pedagógica do Conselho Académico.” Contudo, alega que o maior problema é cultural, por as pessoas “desde crianças não serem educadas para querer saber os regulamentos por que se regem”.

“Não matem o senhor simpático!”

João Salgado*

No meu primeiro ano, na Universidade do Minho, houve uma manifestação no Largo do Paço, em frente à reitoria. O motivo do protesto estudantil era a alteração do Regulamento Interno de Avaliação e Passagem de Ano, vulgarmente conhecido por RIAPA. A multidão de estudantes que gritava ia cantando hinos de protesto como “Queimem o RIAPA”, “Morte ao RIAPA”. Ao meu lado, ouvi alguém dizer: “Coitado do senhor. O que terá ele feito?”
Esta situação é apenas um exemplo da geral ignorância que vigora entre os alunos. Ignorância que as impele, a participar em manifestações, cujo motivo desconhecem, mas sobretudo ignorância dos regulamentos que os regem e das pessoas que os representam. Em época de crise, sabe sempre bem atirar as culpas para os outros, principalmente quando esses outros não têm rosto ou nome. A maior parte dos estudantes da UM não quer saber de “politiquices”. A ideia generalizada é a de que a associação académica é um “conjunto de tachos”, que serve para alguns terem uns jantares de borla e outros terem direito a estatuto de dirigente associativo.
Mesmo com esta ideia negativa, os alunos continuam a não ir às urnas eleitorais. De facto, quanto mais a situação se torna negativa, mais pessimistas se tornam os estudantes e menos se importam. Como não conhecem quem os representam, não conhecem a estrutura em que se inserem, não sabem como resolver os seus problemas. Queixam-se sempre, mas nunca às pessoas certas. Os desabafos quase nunca passam da mesa do café.
E se há umas pessoas que acham que não vale a pena votar, que não vale a pena conhecerem os seus direitos e deveres, há outros que nem querem saber. Concentrados nos livros ou, em alternativa, com o nariz sempre enfiado nos copos de fino, não há tempo para reflectir no que vai mal e realmente fazer alguma coisa contra isso. Até porque isso dá trabalho e se a vida universitária são só cinco anos, se calhar nem vale a pena as pessoas darem-se ao trabalho de levantarem demasiadas ondas.
A realidade é que os estudantes não confiam naqueles que os representam. É algo que se insere numa cultura mais geral de não confiar em nenhum político. Mas se ninguém é honesto, não vale a pena mudar nada. O mais fácil é ir com a multidão e continuar a exigir a morte de “senhores simpáticos e desconhecidos” como o Dr. Riapa.


*aluno de Gestão da Universidade do Minho

MÚSICA
Durante a época de exames, podes ter oportunidade para momentos de descontracção como o “remix ensemble”, intitulado “Da Rússia com Amor. Melodias que integram o ciclo de Concertos Casa da Música e que poderão, hoje, ser ouvidas no auditório da Universidade do Minho, no “campus” de Azurém, às 21h30.

CURSO DE VERÃO
Até ao final deste mês estão abertas as inscrições para o curso de português para estrangeiros. Além do conhecimento da língua, um toque da cultura portuguesa, que inclui visitas a algumas localidades nortenhas. O curso de verão funcionará durante o mês de Julho. Qualquer interessado poderá obter mais informações na secretaria do Instituto de Línguas e Ciências Humanas, no pólo de Gualtar.

ORIENTAÇÃO EM MONTANHA
Se gostas de um pouco de aventura, podes experimentar juntar-te ao Grupo de Orientação da UM e passar o dia a pedalar na Rota da Geira Romana, na próxima quinta-feira. Para isso só tens de te equipar com uma bicicleta todo-o-terreno, o capacete e um bom farnel. A actividade de BTT irá durar o dia todo, iniciando-se logo às 8h30. As inscrições poderão ser feitas através dos telefones 917538203 ou 938312013.

RECOLHA DE TINTEIROS
Se tens tinteiros usados e não sabes o que lhes fazer, podes aproveitar a recolha de tinteiros de impressora para reciclar que está a ser feita pela Licenciatura em Educação. O recipiente para os invólucros vazios está disponível no Instituto de Educação e Psicologia, em Gualtar. A iniciativa inscreve-se no âmbito da disciplina de Ecologia e Educação.

MESTRADOS
As inscrições para mestrados estão abertas. Se procuras especializações em comunicação, cidadania e educação; informação e jornalismo ou sociologia da saúde, tens até ao dia 15 de Junho para te inscreveres na secretaria do Instituto de Ciências Sociais, em Braga. Em Guimarães, também no ICS, as inscrições para a especialização em história das populações estão abertas até ao final deste mês. Quanto aos mestrados na área de ciências, como especializações em ensino de física; ensino de química; genética molecular; matemática computacional; qualidade ambiental; evolução e origem da vida, têm como prazo limite para candidatura o dia 18 deste mês. Podes encontrar mais informações sobre estes últimos mestrados em www.ecum.uminho.pt.

segunda-feira, maio 31, 2004

Cartoon por Luís Felipe Cabral


Instituto de Estudos da Criança poderá ir para Gualtar para o ano

As obras do novo edifício que irá albergar o IEC em Gualtar poderão estar concluídas este ano. As opiniões quanto à transferência da escola divergem.

Isabel Geraldes Freire

Apesar de não querer apontar datas específicas, o reitor Guimarães Rodrigues afirmou ao PÚBLICO.UM que pensa que será possível a transferência do Instituto de Estudos da Criança para o campus de Gualtar, no próximo ano, uma vez que as obras da Escola de Ciências da Educação e Psicologia poderão estar prontas daqui a seis meses. O Instituto encontra-se actualmente no centro de Braga e, apesar de os alunos considerarem que as condições que têm actualmente não são as melhores, quando se fala na transferência da escola, as opiniões divergem.
“Nós não pensamos em nós como universitários”, desabafa Márcia Vasques, estudante do curso de Ensino Básico. A colega Inês Barbosa concorda com ela: “A ideia com que ficamos é que temos que ir para a escola, todos os dias, falar sempre com a mesma gente, sem conseguir alargar horizontes!” As queixas são das alunas do IEC, localizado no centro de Braga, onde ficava o antigo magistério. A distância que separa as salas de aulas de Gualtar das dos alunos de Ensino Básico e de Infância é de menos de três quilómetros, mas apesar disso, Carina Pereira, estudante do IEC, não hesita em afirmar que “não há ligação entre o IEC e o resto da Universidade. Não é por qualquer razão em particular, simplesmente não se proporciona. É possível para alguém tirar um curso na Universidade do Minho (UM) sem nunca conhecer o IEC.”
Se alguns alunos não estão satisfeitos com esta distância com os outros cursos, outros há que se sentem muito bem com esta situação e não gostariam de mudar. A estudante de Educação de Infância, Cristina Rocha, já frequentou as aulas em Gualtar e admite gostar mais do ambiente do IEC: “Conhecemos toda a gente que passa e se precisarmos de alguma coisa de um professor, basta bater à porta do gabinete que ele está disponível.” Da mesma opinião, é a estudante do primeiro ano, Ana Andrade: “Passo muito tempo aqui, é como uma segunda família.”
Estas estudantes não gostariam de ver mudada a localização do seu instituto, mesmo reconhecendo que as condições não são as melhores. “No Inverno, chove dentro do ginásio e os balneários são minúsculos.”, afirma Gabriela Silva de Ensino Básico. A ideia de um banho depois da ginástica está fora de questão para Carina Pereira: “No primeiro dia, liguei a água e saiu amarela. Se tomasse banho ainda ficava mais suja do que antes. Contudo, as queixas não parecem parar aqui. Márcia Vasques refere, ainda, que a cantina é muito pequena :”Dá para 50 pessoas, no máximo, e nem pensar em comer lá alguém que não pertença ao IEC.” Ana Andrade acrescenta “A comida está sempre fria, porque ela não é cozinhada aqui, mas na cantina de Santa Tecla. E depois a cantina é tão pequena que já cheguei a comer de pé”.
A desconfiança de alguns estudantes em relação à mudança para Gualtar parece ser partilhada com alguns professores. A presidente do IEC, Graça Carvalho assinala que “o edifício, para onde o instituto se vai transferir, foi idealizado nos anos 90, numa altura em que havia metade dos professores que há agora”. “Os professores começam-se a interrogar se vão caber todos no edifício, tendo em conta que vai ser partilhado com Psicologia, e começam a ponderar se é vantajoso mudar ou não!” Uma alternativa sugerida por Graça Carvalho para responder à sobrelotação do IEC seria arranjar outro espaço pertencente à UM, situado na Rua do Castelo, e começar a leccionar algumas aulas lá.
As obras da nova escola prosseguem no lado mais a Oeste da Universidade, sendo que o novo instituto ficará ao lado da nova escola de Engenharia. Mesmo assim, a presidente do IEC não está totalmente convencida da rapidez do processo: “A promessa eterna que tem sido feita, já há muito tempo, é a de que daqui a dois anos mudamos para Gualtar. Claro que isto já vem sido dito há quase dez anos.”

A mudança para Gualtar



Luciana Ferreira*

Desejada por uns e preterida por outros, a mudança do Instituto de Estudos da Criança para o pólo de Gualtar surge como a utopia com que os alunos, docentes e funcionários desta instituição convivem diariamente, desde há muito tempo, sempre com validade de dois anos.
A necessidade de novos voos alimenta a vontade de mudar e salienta os benefícios que os alunos das Licenciaturas em Educação de Infância e em Ensino Básico do 1º Ciclo, dos vários Mestrados e Cursos de Complemento de Formação, poderão usufruir relativamente às novas infra-estruturas, novas tecnologias e, sobretudo, ao convívio e à inserção num ambiente académico ao qual, por nos encontrarmos deslocados, não temos acesso na sua plenitude.
Porém, uma mudança poderá significar a perda de algumas conquistas já efectuadas que muito caracterizam as relações profissionais e humanas existentes. O facto de o IEC se situar numa das principais avenidas da cidade de Braga possibilita o acesso a uma rede alargada de transportes, comunicações e serviços que estão directamente relacionados com o sucesso de grande parte das actividades exigidas pelos diferentes cursos. Outro facto importante é a proximidade de um grande número de Jardins de Infância e Escolas do 1º Ciclo que nos permite realizar os estágios em constante colaboração com docentes do IEC, educadores e professores cooperantes bem como com as infra-estruturas e materiais disponibilizados pela instituição.
Na sua generalidade, a mudança para Gualtar abarca grandes potencialidades mas, simultaneamente, limitações. Resta a dúvida e incerteza quanto ao futuro!


*Presidente do NAIECUM – Núcleo de Alunos do Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho.

Agenda

Joana Pinto

Perdidos e achados
Antes que os exames acabem e vás de férias, não te esqueças de passar no Gabinete de Apoio ao Aluno e ver se lá encontras alguma coisa tua. Lá, poderás encontrar documentos pessoais (Bilhetes de identidade, cartões da aluno, de crédito, de segurança social, carta de caçador), chaves de vários tipos e variados objectos que foram encontrados pela UM. O GAA está aberto das 9h30 ao 12h30 e das 14h às 18h.


RGA
Na próxima segunda- feira vai realizar-se pelas 15h uma Reunião Geral da Alunos (RGA) Ordinária, no Auditório B1 do CP II em Gualtar, Braga. Esta reunião vai aprovar Actas, prestar informações, apreciar e votar o relatório de contas referente ao mandato de 2003. Participa nesta RGA, que será provavelmente a última do ano lectivo.

Concerto
No dia 31 de Maio, segunda-feira, aproveita para descontrair um bocadinho antes dos exames e vai pelas 22h ao Auditório da UM, escutar a Orquestra Metropolitana de Lisboa. Esta orquestra conhecida internacionalmente promete horas de lazer e relaxamento.


Recitais
No dia 5 de Junho, o Salão Medieval da Reitoria da UM (Largo do Paço) recebe pelas 21h30, o Coro e Orquestra de Câmara do Conservatório de Música do Porto e da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo. Sob a direcção musical de Magna Ferreira e Ana Mafalda Castro, estes recitais enquadram-se no XXX Aniversário da UM.Organizados pelo IEC (Instituto de Estudos da Criança), estes espectáculos são de entrada livre.


Encontro de Matemática Elementar
De 3 a 6 de Junho, o IEC promove o 1º Encontro de Matemática Elementar. O encontro que terá início no dia 3 pelas 14h, conta coma presença de vários convidados de universidades europeias e norte americanas e visa reflectir sobre o Ensino e a Aprendizagem da Matemática Elementar, promover a apresentação e discussão de experiências no âmbito do processo de ensino-aprendizagem da Matemática Elementar e divulgar projectos desenvolvidos nesta área. Aparece para aprenderes um pouco mais acerca desta ciência exacta.

quinta-feira, maio 27, 2004

Tradições Centenárias



Uma das tradições académicas dos estudantes da Academia minhota, mais genuínas e originais, é sem dúvida, a realização das festas do Enterro da Gata, cuja referência mais antiga se encontra no jornal “Aurora do Minho”, de 2/06/1889. Do que nos é dado conhecer, através da imprensa da época, sabemos que a sua realização nem sempre teve a continuidade que existiu, por exemplo, na década de sessenta, à qual se seguiu uma interrupção de 29 anos. Após este período, a Associação Académica da Universidade do Minho, resolveu adoptar estas festas como suas, integrando nelas dois ícones, que sempre lhe foram inseparáveis, o cortejo e o testamento da gata. Ao longo dos anos e, muito especialmente na década de sessenta, os estudantes aproveitavam-se destes festejos para contornarem as malhas da censura, fazendo crítica social que, ao tempo, e em regra, só era possível através da clandestinidade. Felizmente, hoje, os estudantes não têm que se defrontar com a censura, mas a liberdade de imprensa torna mais difícil encontrar novidades para a crítica social. Porém, a Academia Minhota tem achado formas para continuar a ser fiel a uma tradição centenária, criando espaço para que os seus alunos, para além de se divertirem, critiquem os factos sociais relevantes, quer nacionais, quer locais, enriquecendo ainda as suas festas com cerimónias académicas, religiosas culturais e desportivas.
Esta forma feliz que os Universitários Minhotos tiveram de ligar as suas festas e tradições aos estudantes que no século XlX estudaram na cidade sede da sua Universidade, deve-se ao antigo aluno Luís Novais, que presidindo à Associação Académica de Junho de 1987 a Junho de 1991, soube procurar as verdadeiras raízes da Academia a que presidia, e acreditando que a unidade dos estudantes Universitários Portugueses só seria possível desde que fosse respeitada a identidade de cada Academia.
Ele aplicou-a, e foi exemplo que influenciou outras jovens Academias a associarem as suas festas e os seus trajes, às raízes e às tradições das cidades e ou regiões que as acolheram.

sexta-feira, maio 14, 2004

“Uma questão de tradição!”

São 37 as barraquinhas de curso que vendem bebidas no enterro da gata. Apesar do trabalho investido em angariar patrocínios ou montar o “stand”, os estudantes dizem que o lucro é uma questão secundária

Isabel Geraldes Freire

Para além do palco e das tendas de música, o “gatódromo” conta com 37 barraquinhas de bebidas, cada uma delas associada a um curso ou grupo de estudantes. É à hora em que o recinto do Enterro da Gata está vazio, ao final da tarde, que estes stands são preparados para uma nova noite. Para além do esforço inicial de arranjar patrocínios e montar a barraca, todos os dias é preciso buscar a nova provisão de garrafas, limpar os balcões e preparar os trocos. Quem lá trabalha, durante a noite, afirma que financeiramente não compensa muito, mas é uma questão de tradição e de integração no espírito do enterro.
A primeira etapa para se ter um espaço no recinto é arranjar patrocínios. Isto porque é preciso pagar 200 euros pelo aluguer do espaço na quinta dos peões, para além do preço da barraca e das bebidas. “Logo no primeiro dia pagámos 600 euros pelas bebidas e em cada dia estamos a gastar cerca de 300 euros”, afirma um dos responsáveis pela barraquinha de Informática de Gestão, André Costa. Mesmo com todas estas despesas, o estudante congratula-se por estarem a ter lucro.
Neste momento, o recinto ainda não tem visitantes, é a hora do ensaio das bandas e dos últimos retoques da organização, mas os alunos das barracas têm preparar a barraca para mais uma noite. Além das limpezas, é preciso ir buscar as bebidas à tenda da organização. É que todas as bebidas têm que ser encomendadas com antecedência à associação. A barraca, essa, já está montada desde o primeiro dia. E se há alunos que simplesmente alugam o stand a empresas especializadas que montam tudo por montantes que rondam os 200 euros, outros há que resolveram construir as casinhas de bebidas com as próprias mãos. “Passámos uma tarde a montar as placas
Para alguns estudantes é uma questão de tradição ter uma barraca no recinto. “É como ter um carro no cortejo”, considera Filipa Barbosa, da barraca de Psicologia, um curso representado por três stands de bebidas. “Já há anos que não havia uma barraca a representar o nosso curso aqui,” explica Alberto Gonçalves da barraca de Biologia Aplicada, justificando o seu desejo de organizar o regresso do curso ao recinto. Enquanto limpa o balcão e vai empilhando garrafas, o estudante explica que a barraca serve de ponto de encontro para os alunos do curso. “É engraçado trabalhar atrás do balcão, porque se acaba por conhecer imensa gente”.

Passar a noite a dançar e a beber
De facto, são muitas as pessoas que optam por não assistir aos concertos, ouvindo antes a música das colunas das tais casas de bebidas. Os copos de plástico que revestem o chão do recinto vão-se empilhando, enquanto as pessoas vão passando a noite a dançar e a beber. Até quarta-feira à tarde, quinto dia do enterro da gata, foram consumidos mais de 400 barris de cerveja, quase 1200 garrafas de vodka e mais de 700 garrafas de whisky.
As portas abrem ao público em geral, às 23h30 e fecham apenas de manhãzinha, depois das 7h00 da manhã. É a hora em que os noctívagos aproveitam para visitar as casas dos seus cursos. João Vilaça, aluno de Engenharia Civil, confessa passar a maior parte do tempo nas barracas, por encontrar lá as pessoas que conhece, servindo como escape quando os concertos não são do seu agrado. Entre um concerto e outro ou numa pausa para bebidas, as barracas vão-se enchendo de pessoas até ao final dos concertos. Durante a noite, por entre as barracas, o recinto vai-se tornando cada vez mais apertado

MÚSICA
O som do oboé e do órgão na interpretação de obras de Carlos Seixas, Haendel e Bach pode ser ouvido, no próximo domingo, às 18h30. O recital será interpretado por Gerhard Doderer e Pedro Castro e terá lugar no salão nobre do Instituto de Estudos da Criança, em Braga. A entrada é livre para todos os interessados.

JORNADAS
O mercado de trabalho é o tema das próximas jornadas de Comunicação Social, que irão contar com personalidades como o jornalista Mário Augusto da SIC ou o produtor Paulo Branco. As conferências, divididas em quatro painéis, de relações públicas, publicidade, audiovisuais e jornalismo serão realizadas de 18 a 20 de Maio, no auditório B1, CP2 do pólo de Gualtar. O programa inclui ainda uma conversa com ex-alunos do curso.

INSCRIÇÕES PARA EXAMES
Se ainda não te inscreveste nas chamadas dos exames do segundo semestre, ainda estás a tempo de o fazer até ao dia 21 de Maio, através da Internet, na página dos serviços académicos. Mas se aquilo que queres fazer é uma melhoria de nota ou se te quiseres inscrever na época antecipada das licenciaturas em ensino, então terás que te dirigir à secretaria dos serviços académicos, em Gualtar e Azurém, até ao dia 17 deste mês.

LIVROS
Se gostas de Vergílio Ferreira, ou, simplesmente, tens curiosidade sobre a sua obra, podes aparecer no próximo dia 27, na livraria 100ª Página, às 21h30. O professor da Faculdade de Filosofia de Braga, Cândido Martins, irá apresentar o livro de José Antunes de Sousa: “vergílio Ferreira e a Filosofia da sua Obra Literária”.

CURSO MEDICINA LEGAL
A iniciação à Medicina Legal será o tema do curso coordenado pelo Professor Pinto da Costa. O curso irá decorrer no auditório B2, do CP2 no campus de Braga da UM, nos dias 19, 20, 25 e 27 de Maio. Os interessados poderão obter mais informações na secretaria da escola de direito.

quarta-feira, maio 05, 2004

Estudantes conhecem criminalidade da cidade

Catarina Rebelo*


É frequente, no meio universitário, quando se fala da cidade de Braga, focar o assunto da criminalidade. Poucos são os que não têm histórias para contar: ou de tristes incidentes que viveram pessoalmente ou vividos por pessoas muito próximas. A verdade é que roubos de malas através de puxões, assaltos com armas brancas ou assaltos a carros são relatos que ouvimos regularmente, e que tornam inevitável responder sim, quando a questão é se existe ou não uma forte criminalidade em Braga. Aliás, há já alguns meses atrás, num canal de televisão, uma estatística mostrava a cidade de Braga como uma das mais perigosas do país.
Principalmente à noite sente-se muita insegurança nas ruas da cidade.
Na zona universitária, a falta de policiamento aliada à descontracção que os estudantes levam quando, ao fim do dia, saem para tomar café, torna-os uma espécie de “presas fáceis” para os assaltantes.
Por tudo isto, penso que o fenómeno da criminalidade em Braga merece uma atenção especial e um travão urgente.
Para retirar a insegurança das ruas da cidade é necessária uma maior protecção policial, que não passa apenas por haver um maior número de policias na rua, mas também por existirem mais meios, possibilidades e uma verdadeira disposição para combater o crime por parte destes agentes.
Esta é uma medida que funciona a curto prazo, mas existem outras que actuam num plano mais profundo e que abordam outros aspectos para além da insegurança das possíveis vitimas. Refiro-me á importância de entender o fenómeno.
Porque é que existe tanta criminalidade em Braga? Quais são as características das pessoas que cometem crimes nesta cidade? Quais são as suas faixas etárias, e que tipo de motivações os leva á criminalidade? Quais são as situações económicas e sociais em que vivem?
Enfim, apenas estudando e compreendendo o fenómeno social especifico que cria pessoas que cometem crimes se podem desenvolver mecanismos que o contrariem.
Diria mesmo que a autarquia, dado a extensão do problema, poderia criar um programa especifico e unicamente direccionado para o combate ao crime na cidade de Braga.
O facto de não existir muita imigração na cidade demonstra que, provavelmente, grande parte da criminalidade que esta suporta é provocada por pessoas que a cidade criou, e aí, o primordial será perceber e melhor as falhas que tenham desencadeado o fenómeno, quer elas sejam assimetrias económicas, alguma falha no sistema educativo ou quaisquer outras que sejam.


*estudante de Comunicação Social

“Ai pernas para que vos quero”

Rita Ramoa

Os alunos da UM procuram evitar o caminho entre a universidade e a residência, em Guimarães, de modo a prevenir assaltos. O Subcomissário da PSP local afirma que a cidade não é muito perigosa, mas apela para a prevenção


Os universitários minhotos queixam-se de assaltos ou perseguições, em Guimarães. A zona mais problemática são os caminhos que ligam a universidade à residência nova ou ao Bar da Associação. Os caminhos de terra, embora permitam a passagem de carros, são pouco iluminados e afastam-se da estrada principal, sendo ladeados pelas paredes traseiras das casas ou por vegetação, com campos cultivados ao pé. Perante as situações de perigo, a solução muitas vezes apontada é a fuga. Mesmo assim, o Subcomissário da PSP, em Guimarães, José Barbosa, afirma que a cidade não é perigosa e aponta como solução para estes problemas a prevenção.
“No passado domingo à tarde, por volta das 15h, fui seguida num dos caminhos perto da universidade, que liga a sede da AAUM em Guimarães à residência dos estudantes”, relata Luísa, estudante do 3º ano da Licenciatura em Engenharia Civil. Esta discente acrescenta que “em pleno dia não passou nenhum carro”, a não ser o carro que a seguia e lhe ofereceu boleia, até que Luísa fugiu. No âmbito desta ocorrência, Luísa considera que a cidade de Guimarães “é perigosa, mas há sítios mais perigosos e se as pessoas tivessem mais cuidado, também poderiam evitar certas situações”. O Subcomissário da PSP de Guimarães, José Barbosa, atesta, contudo, que “ a criminalidade em geral, em Guimarães, é baixa e a alta criminalidade praticamente não existe”. Mesmo assim, alerta para cuidados essenciais, com o intuito de evitar situações confrangedoras.
Armindo Oliveira, vigilante da UM no pólo de Guimarães, afirma que “dentro da universidade não tem havido muitas queixas. No acesso à residência é que acontecem alguns assaltos”. Foi precisamente nesta zona que Paulo Silva foi assaltado, enquanto caminhava com um amigo, por uns “miúdos” que possuíam uma arma de fogo. Apesar deste incidente, este aluno do 4º ano de Informática de Gestão continua a agir “normalmente, sem qualquer tipo de medos”. Também em Guimarães, foi assaltada a viatura de Nuno Oliveira. Este discente do 3º ano de Informática de Gestão tinha o carro no parque de estacionamento da residência universitária quando o encontrou furtado. A zona da universidade e da residência merece, segundo José Barbosa “uma especial atenção, por parte da polícia, uma vez que tem um afluxo muito grande de pessoas”. De modo a prevenir incidentes, o Subcomissário apela à cooperação dos cidadãos, para que a polícia possa agir: “É muito importante que o cidadão avise sempre a polícia, de modo a contribuir para um policiamento de proximidade”.
Nuno Ribeiro já esteve em duas situações de assalto “iminente”, uma delas foi em Braga à noite, outra em Guimarães a meio da tarde. Apesar do sucedido, este estudante do 4º ano de Engenharia Mecânica refere que não tem cuidados específicos com a sua segurança, pois também não costuma andar sozinho. Um comportamento recomendado pelo Subcomissário da PSP, que defende que é importante que os estudantes andem em grupo, que não abandonem os veículos em locais isolados e que não deixem objectos expostos. Este oficial refere também que numa situação de assalto, a vítima deve “conseguir o máximo de características do assaltante, o “modus operandi”, deve tentar fazer a descrição do assaltante, e deve comu

ENTERRO DA GATA
É já no próximo dia 8 que começam as festividades associadas ao Enterro da Gata. As bandas esperadas no palco do gatódromo são Clã, Luis Represas, Blasted Mechanism, Rui Veloso, Terrakota, Fingertips, Gomo, Sérgio Godinho, Toranja, Alter Ego, Quim Barreiros, Ruth Marlene, Xutos & Pontapés e Big Fat Mamma. Neste cartaz cem por cento português, resta ainda assinalar a presença de algumas tunas convidadas, para além dos Freequency, os vencedores do concurso de bandas de garagem Umplugged. Além dos concertos, destaca-se o já habitual velório da gata, às 22h00 de sábado e às 24h00 do mesmo dia, a serenata. A missa de benção de finalistas e a imposição de insígnias terão lugar no dia seguinte e o baile de finalistas no dia 11. O preço do bilhete único para os concertos é de 28 euros e o bilhete de cada dia custa dez euros para não sócios da associação académica e varia entre oito (no fim-de-semana) e sete para sócios.

MÚSICA
Tunas académicas e animação serão os principais ingredientes do Festival de Tunas Universitárias, que terá lugar no Parque de Exposições de Braga (PEB), entre hoje e amanhã. As tunas começam a actuar às 21h30 e se as quiseres ouvir podes comprar o bilhete de estudante por cinco euros. Ainda no PEB, se quiseres optar, por um concerto diferente, podes ir ao concerto dos 15 anos do coro académico, na próxima quinta-feira, às 21h30. O espectáculo contará com participações da fadista María do Ceo, das pianistas Melissa Fontonha e Maria João Fernanda e ainda do sindicato de poesia e do quinteto de metais. O preço é de três euros.

POESIA
“O lugar onde o coração se esconde” é o lugar onde se vai recitar a poesia de Ruy Bello. Os textos do poeta vão ganhar forma através da voz de António Fonseca, Sofia Saldanha e Vânia Ribeiro, no salão medieval da Biblioteca Pública, hoje às 21h45, na última noite de exibição. A música fica a cargo de Miguel Guedes e do seu saxofone, numa iniciativa da Biblioteca Pública de Braga e do Sindicato de Poesia. Os bilhetes devem ser reservados através do número 253601135.

FEIRA DO LIVRO USADO
Se tiveres livros, revistas ou manuais usados, dos quais te queres livrar, podes entregá-los na recepção do CP1, no campus de Gualtar, até segunda-feira, de modo a engrossarem as mercadorias à disposição na próxima feira do livro usado. A feira terá lugar nos próximos dias 4 e 5, no CP2, em Braga.

SEMANA DE DIREITO
O advogado Daniel Proença de Carvalho, o jornalista Pedro Cruz ou Horácio Serra Pereira do sindicato de Jornalistas serão alguns dos convidados da semana de direito, que se irão reunir na próxima segunda-feira, para discutir o segredo de justiça. No dia seguinte, a discussão sobre a despenalização do aborto irá incluir nomes como João Semedo, Odete Santos, Nuno Melo ou Daniel Catalão. O final dos debates será realizado sob o tema Constituição Europeia – Perspectivas e inclui convidados como Miguel Portas, Sérgio Ribeiro ou Ana Gomes. As palestras começam às 14h30 no auditório A1, no CP1, em Gualtar.